Padre Júlio Lancellotti é alvo de CPI em São Paulo; entenda

Por Nahama Nunes

Vereadores da Câmara Municipal de São Paulo buscam investigar o padre Júlio Lancellotti. Em 6 de dezembro do ano passado, parlamentares protocolaram na Casa assinaturas necessárias para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de averiguar ONGs que fornecem alimentos, utensílios para uso de substâncias ilícitas e tratamento aos grupos de usuários de drogas que frequentam a região da Cracolândia.

O autor da proposta, vereador Rubinho Nunes (União Brasil), prevê que a comissão seja instaurada em fevereiro, após o recesso parlamentar, e diz que a medida já conta com o apoio de 30 vereadores.  Rubinho acusa a Craco Resiste e o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, conhecida como Bompar, de promoverem uma “máfia da miséria”, que “explora os dependentes químicos do centro da capital”.

Padre Júlio Lancellotti é uma figura conhecida nacionalmente pelo trabalho que realiza com a população em situação em situação rua na capital paulista. Há mais de 40 anos militando pelos pobres, o sacerdote, de 75 anos, é coordenador da Pastoral do Povo da Rua, da Arquidiocese de São Paulo. Lancellotti é também o padre responsável pela Paróquia de São Miguel Arcanjo, da Mooca, desde 1986, onde começou o trabalho pastoral com populações em situação de rua, menores infratores e crianças com HIV. O padre teve a atuação incentivada pelo Papa Francisco, que ligou para o sacerdote em 2020 e recomendou que ele não desanimasse do trabalho para auxílio dos pobres, mesmo diante de todas as dificuldades.

Ao ser informado sobre a CPI na Câmara, o padre Júlio declarou que os parlamentares que apoiam a comissão querem criminalizar a pobreza. “Quando você está do lado dos indesejáveis, você será indesejado também. Quando você está do lado dos rejeitados, você será rejeitado também. Nós não podemos esquecer que São Paulo se movimenta a partir da especulação imobiliária. A cidade é um grande laboratório do mercado imobiliário. E isso aumenta a rejeição aos mais pobres, aos dependentes químicos. O que se vê nesse momento, com essa questão da CPI, é uma criminalização do pobre, é uma criminalização do dependente químico. Não vamos superar isso com uma guerra. O México já mostrou que não adianta fazer guerra porque o conceito de crime organizado ao invés de enfrentar o problema a gente criminaliza”, disse.

O ataque contra o Padre Julio Lancellotti provocou uma série de reações. Artistas, acadêmicos, comunidade jurídica, entre outros, assinaram manifesto de solidariedade ao padre. O presidente Lula também saiu em defesa do sacerdote.

A Central de Notícias da Rádio PAZ é uma iniciativa do Projeto “MAZZAROPI E A REINVENÇÃO DO CAIPIRA”. Este projeto foi realizado com o apoio da 7ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.

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