Violência contra animais cresce mais de 46% no Brasil em 2025, segundo levantamento

O Observatório da Segurança Pública registrou 625 casos; especialista explica o motivo.

Por Victoria Marques

Segundo o Observatório da Segurança Pública (OSP), em 2025, a violência contra os animais aumentou 46,7% no Brasil, em comparação ao ano anterior, chegando a 625 registros. O animal mais citado foi o cachorro, com 427 casos; seguido das aves, com 170 citações, e dos gatos, com 128.

A pesquisa descobriu que a maioria dos registros foram de maus-tratos, seguido de espancamento/agressão, envenenamento e abandono. Os dados mostram 57,60% dos casos aconteceram no interior, enquanto 42,40% foram nas regiões metropolitanas.

A neuropsicóloga Priscila Gasparini Fernandes explica que esse aumento é devido à falta de controle de impulso por conta do estresse do dia a dia: “A gente tem uma hiperestimulação cerebral onde existe uma baixa estimulação de amígdala, que é o que segura o nosso impulso”. “Você primeiro age por impulso, depois vê o que fez. Em muitos casos, a gente tem observado que as pessoas estão agindo assim. Existe uma desorganização mental.”

Além da agressão, a profissional destaca os maus-tratos: “Quando você não cuida, não leva no veterinário, não alimenta, você não tem o cuidado que aquele cãozinho precisa. Então a gente também atribui como maus-tratos dessa maneira”. O relatório do OSP pontuou que os dados são da quantidade de ocorrências, mas como uma denúncia pode tratar de vários animais no mesmo local, o número de vítimas pode ser maior do que os registros.

Empatia Coletiva

A neuropsicóloga lembrou do caso do cão Orelha, morto em janeiro de 2026, que era um animal cuidado pela vizinhança da região que ele vivia: “Quando algo acontece com um cãozinho desses, existe uma sensibilização coletiva. Todos se sentem agredidos, se sentem moralmente abalados. Porque é um ser indefeso, é um ser que que não faz mal para ninguém. A gente se sente muito vulnerável, porque pode acontecer com qualquer pessoa”.

Priscila acredita que as denúncias não são apenas o aumento de casos, mas também há mais empatia: “Tem um lado das pessoas que estão mais adoentadas mentalmente, mas tem um lado também da empatia. Existe uma conscientização maior, tanto no caso da denúncia quanto na responsabilidade civil ali de sinalizar e tentar impedir que aquele ato aconteça”.

Uma das maneiras de combater essa violência é a educação, que começa em casa: “Quando você tem uma família estruturada que te acolhe, que te orienta, você aprende a se comportar, a entender os sentimentos, sabe quando está agindo por impulso, aprende a ter condições de controle seus comportamentos”.

A Central de Notícias da Rádio Paz é uma iniciativa do Projeto “GASLIGHTING: Uma violência sutil!”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.

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